Como enfermeira desempregada que sou... como ex-estudante à procura do primeiro emprego, existe um sem número de questões, as quais gostaria que fossem respondidas... Por isso mesmo, a aproveitando este espaço usado também para demonstrar a minha “revolta” venho, assim, questionar determinados aspectos que ainda hoje não compreendo...Primeiro que tudo, como chegou a Enfermagem a este ponto?
O que aconteceu realmente para que existisse uma Escola de Enfermagem em cada cidade do país?
Para que existissem enfermeiros desempregados há mais de um ano...? eu nem sei se me hei-de queixar, afinal, apenas estou há cerca de 2 meses assim, o que comparando, é francamente pouco...
Bem, a realidade é que comparando com muitas outras profissões, enfermagem não é dos cursos que tem menos saída, no entanto, tenho plena convicção de que para lá caminharemos... daqui a uns aninhos é ver-nos tal como as centenas (milhares?) de professores desempregados espalhados por esse Portugal (e não só) fora...
Não compreendo...
Há quatro anos atrás dizia-se que Enfermagem era um dos cursos com mais saída... quatro anos depois... o cenário tornou-se diferente... bem diferente... um POUQUINHO mais desesperante...
Mas enfim... há que continuar a acreditar... há-de chegar nem que seja daqui a uns tempos... uns meses... nem sei... pouco animadoras foram as estatísticas que a Ordem dos Enfermeiros divulgou na Cerimónia de Vinculação da Secção Regional do Sul, embora quisessem deixar um mensagem de esperança... quer dizer, vai daí já nem sei... porque a OE pouco tem feito (ou menos nada) para melhorar a situação em que se encontra a Enfermagem
Eu estou a procura de emprego, gasto dinheiro em impressão de currículos, requerimentos, fotocópias, envelopes, selos, envios de recepção, procuro nos jornais, na Internet, em qualquer sítio que posso dizer que se procuram enfermeiros, no entanto, poucas são as respostas... as que existem não são positivas. Já fui pessoalmente a dezenas de hospitais entregar currículos (como se isso servisse de alguma coisa...) Enfim...
Eu estou realmente à procura de emprego... Eu também só gostava que as pessoas compreendessem que eu quero realmente trabalhar e que quando digo que estou a procurar emprego agradecia que acreditassem mesmo e não olhassem para mim com aquele ar do tipo “Deve ser, tu não queres é trabalhar!” ou então que, pelo menos, não fizessem comentários do tipo “Não tens emprego? Mas há tantos doentes, como é que não empregam os enfermeiros?”...
Enfim... estes são, decididamente, os comentários que mais tenho ouvido nos últimos 2 meses...
E pedem-me para lutar... mas já agora, como é que se luta?
1 comentário:
Considero, que para quem está nesta situação não seja nada,mas mesmo nada fácil. Não tenho vivido a situação de uma forma directa,mas sim de uma forma indirecta. Apesar de tudo sinto-me de algum modo afectado pelo problema.
Dói-me o coração ver recém formados cheios de expectativas e de vontade de trabalhar numa situação destas. Considero-me, neste estado actual das coisas um privilegiado, dado de que dentro em breve terminarei a minha formação e não terei de enfrentar tal situação...Sei que tudo o que se disser não será suficiente para dar alentos a estes jovens a quem tanto lhe pedem para lutar.Mas quero aqui deixar publicado que há alguém nesta situação que poderá contar comigo para tudo,mas mesmo tudo dado que esse alguém não é mais nem menos do que a minha razão de viver...
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